Sunday, July 29

Limiares

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. Le Temps Menaçant, 1929 .
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L'Échelle du Feu, 1934
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Vamos caminhando aos ziguezagues entre o apocalipse e o paraíso perdido, muito perto do primeiro e muito distantes do segundo. Perdidos em sonhos e de sonhos perdidos.
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Rudolf Schlichter
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Tuesday, July 24

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.Le Visage du Génie, 1926-7
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Uma só coisa é necessária: a solidão, a grande solidão interior. Caminhar em si próprio e durante horas não encontrar ninguém - é a isto que é preciso chegar.
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Rainer Maria Rilke, in Cartas a Um Jovem Poeta
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Sunday, July 15

da Palavra à Poesia

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Portrait de P.-G. Van Hecke, 1928
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Havia no violoncelo uma poesia austera e pura, uma feição melancólica e severa que casavam com a alma de Inácio Ramos. A rabeca, que ele ainda amava como o primeiro veículo de seus sentimentos de artista, não lhe inspirava mais o entusiasmo antigo. Passara a ser um simples meio de vida; não a tocava com a alma, mas com as mãos; não era a sua arte, mas o seu ofício. O violoncelo sim; para esse guardava Inácio as melhores das suas aspirações íntimas, os sentimentos mais puros, a imaginação, o fervor, o entusiasmo. Tocava a rabeca para os outros, o violoncelo para si, quando muito para sua velha mãe.
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Machado de Assis, in O Machete
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Tuesday, July 10

Utopia, Mestria do Prazer
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Le Thérapeute, 1936
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"Discutem sobre a virtude e o prazer; mas primária e suprema é a questão sobre a felicidade humana: em que é que se situa, se numa única coisa se em muitas. Ora quanto a isto parecem mais propensos do que seria razoável para a corrente que defende o prazer, enquanto procuram definir a felicidade humana no seu todo ou na parte principal.
Designam por prazer todo o movimento ou todo o estado de corpo ou de alma nos quais o homem, guiado pela natureza, se delicia em viver. Nos prazeres que se reconhecem como autênticos, os utopianos assinalam diversas espécies: uns atribuem-nos à alma, outros ao corpo.
À alma associam o entendimento e o gozo que a contemplação da verdade faz nascer; a isso junta-se a recordação agradável de uma vida bem passada e a esperança sem vacilação de um bem futuro.
Quanto ao prazer do corpo, repartem-no por dois tipos. O primeiro deles será aquele que inunda os sentidos de uma acalmia de plenitude. Quanto a um segundo, gozar de saúde sem entraves de doença; na realidade, se não houver que enfrentar a dor, o bem-estar é já de si uma satisfação, mesmo que a vida decorra sem ocasionar um prazer vindo de fora.

. Le Maître du Plaisir, 1926

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Abraçam os utopienses, principalmente e em primeiro lugar, os prazeres do espírito (consideram-nos, efectivamente, acima de todos, no topo).
Quanto à beleza, à robustez, à destreza, os utopienses cultivam-nas de bom-grado como verdadeiros dons da natureza que são também aprazíveis. Melhor ainda, como condimentos que tornam a vida aprazível, buscam prazeres que entram pelos ouvidos, pelos olhos, pelas narinas, que a natureza quis que fossem próprios e peculiares do homem (de facto, nenhuma outra espécie de animais se detém a olhar para a elegância e para a beleza, ou se deixa impressionar pelo encanto dos odores, a não ser que seja para distinguir alimentos, nem se apercebe das escalas dos sons e da sua harmonia ou dissonância).
O juízo dos utopienses é também aqui sempre o mesmo: um prazer de menor qualidade não deve criar obstáculo ao de maior qualidade."
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Thomas Morvs in Vtupia
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