Friday, November 23

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Le Faux Miroir, 1928

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Teus olhos sensuais
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.
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As grandes comoções
Tu, neles, sempre espelhas;
São lúbricas paixões
As vívidas centelhas…
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Teus olhos imortais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais,
Que muitas bibliotecas!
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Cesário Verde, Lúbricas
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5 comments:

Luís Galego said...

Teus olhos dizem mais,
Que muitas bibliotecas!

é tão, mas tão bonito este poema de Cesário, o tal poeta que tão bem descreve a nostalgia do português...

peregrino said...

Belo o poema, sugestiva a imagem.

Penetra no meu peito tal tristeza,
Na longa solidão da tua ausência,
Que chego a recear a dependência
Dos teus divinos olhos de princesa.

Este eterno fogo que a natureza
Minha alma ateou com hercúlea ardência,
De contornos que raiam a demência,
Esta sede insana da tua beleza,

É saudade sentida dos teus olhos,
Que iluminam os meus no mar de escolhos,
Na incessante busca dum abrigo.

É chama que arde no perpétuo incenso
Das aras do amor, oceano imenso
De lágrimas silentes, que bendigo.


Peregrino, 2003

mar.aravel@netcabo.pt said...

Com Cesário

tudo bem

Digo eu - bem podia ter sido azul

com salivas contra as rochas

centelhas

a rasgar

Rui Luís Lima said...

olá teresamaremar!
obrigado pelas visitas e comentários e também por essa bela sugestão literária desse grande nome das letras, chamado Octavio Paz.
quando olhamos os livros que nos enchem a alma livros que nos acompanham ao longo da vida, ficamos muitas vezes tristes por nos dias de hoje eles serem esquecidos, pelo jornalismo cultural, que cada vez mais se confunde com a publicidade, porque só se escreve sobre as novidades.
que saudades dos suplmentos culturais de outros tempos: "A Mosca", o "Letras e Artes" e outros que nos acompanharam na nossa juventude.
beijinhos e bom fim-de-semana
paula e rui lima

Bill said...

E na janela da alma, a verdade que por vezes nos escapa (=

Grande e magnífico Cesário...

(=