Saturday, October 27
Wednesday, October 17
Le Seducteur, 1953 .
A viagem fazemo-la num qualquer modesto cargueiro
Existe ainda um porto onde não tivéssemos tocado?
Existe alguma espécie de tristeza que ainda não tivéssemos cantado?
O horizonte que a cada manhã tínhamos pela frente
Não era igual ao que à noite deixávamos para trás?
Quantas estrelas desfilaram à nossa frente
Roçando as águas
Não era cada aurora o reflexo
Da nossa grande nostalgia?
Mas é em frente que vamos, não é verdade?
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Nâzim Hikmet in Poemas da Prisão e do Exílio
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Sunday, October 7
Petits Riens
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Que n'pas penser du tout
Rien c'est déjà beaucoup
Ce sont ces petits riens
Que j'ai mis bout à bout
Ces petits riens
Qui me venaient de vous
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Sunday, September 30
porque a memória é de pedra
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David Mourão-Ferreira
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Saturday, September 22
Desvarios
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Tuesday, September 18
Marioneta de Trapo
Thursday, September 13
Por Entre Fios
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Monday, August 27
Diálogos
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Mas se fosses mágico,
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Manuel Bandeira, Lira dos cinquent' anos
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Thursday, August 16
Ternas São as Horas
Friday, August 3
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Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)
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Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...
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Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim! Que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da Descoberta!
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O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!
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José Régio. Libertação,in Poemas de Deus e do Diabo
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Michael Dudok de Wit. Father and Daughter, 2000
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Ma jeunesse ne fut qu'un ténébreux orage,
Traversé çà et là par de brillants soleils ;
Le tonnerre et la pluie ont fait un tel ravage,
Qu'il reste en mon jardin bien peu de fruits vermeils.
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Voilà que j'ai touché l'automne des idées,
Et qu'il faut employer la pelle et les râteaux
Pour rassembler à neuf les terres inondées,
Où l'eau creuse des trous grands comme des tombeaux.
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Et qui sait si les fleurs nouvelles que je rêve
Trouveront dans ce sol lavé comme une grève
Le mystique aliment qui ferait leur vigueur ?
- Ô douleur ! ô douleur ! Le temps mange la vie,
Et l'obscur Ennemi qui nous ronge le cour
Du sang que nous perdons croît et se fortifie !
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Baudelaire, L'Ennemi
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Sunday, July 29
Tuesday, July 24
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Rainer Maria Rilke, in Cartas a Um Jovem Poeta
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Sunday, July 15
da Palavra à Poesia
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Machado de Assis, in O Machete
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Tuesday, July 10
"Discutem sobre a virtude e o prazer; mas primária e suprema é a questão sobre a felicidade humana: em que é que se situa, se numa única coisa se em muitas. Ora quanto a isto parecem mais propensos do que seria razoável para a corrente que defende o prazer, enquanto procuram definir a felicidade humana no seu todo ou na parte principal.
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Quanto à beleza, à robustez, à destreza, os utopienses cultivam-nas de bom-grado como verdadeiros dons da natureza que são também aprazíveis. Melhor ainda, como condimentos que tornam a vida aprazível, buscam prazeres que entram pelos ouvidos, pelos olhos, pelas narinas, que a natureza quis que fossem próprios e peculiares do homem (de facto, nenhuma outra espécie de animais se detém a olhar para a elegância e para a beleza, ou se deixa impressionar pelo encanto dos odores, a não ser que seja para distinguir alimentos, nem se apercebe das escalas dos sons e da sua harmonia ou dissonância).
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Thursday, June 28
Paroles du Rêveur
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I
A quoi tu penses
Je pense au premier baiser que je te donnerai.
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II
Baisers semblables aux paroles du rêveur
Vous êtes au service des forces inventées.
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III
Aux rues de petites amours
Les murs finissent en nuit noire
J'aime
Et mes rideaux sont blancs.
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IV
Sans éclat et douce à son nid
Elle apparaît dans un sourire.
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V
Le 21 du mois de juin de 1906
A midi
Tu m'as donné la vie.
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Paul Éluard, in Une longue refléxion amoureuse
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Wednesday, June 20
Envelhecer
Les Rêveries du Promeneur Solitaire, 1926.
A primeira surpresa: agrada-me.
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Não me digam que esta gratidão é complacente.
Saber isto ainda torna mais vivo
dizemos, juntos, num momento de ternura:
Saturday, June 16
Turvas Horas
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Turva hora onde
Principia a noite
E o dia se esconde
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Hora de abandonos
Em que a gente esquece
Aquilo que somos
E o tempo adormece
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Nevoenta hora
Hora de ninguém
Em que a gente chora
Não sabe por quem.
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E tudo se esconde
Nessa hora onde
Por estranha magia
Brilha o sol de noite
E o luar de dia.
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Natália Correia
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Wednesday, June 13
São Rosas
Sunday, June 10
Há Um Poema...
Há sempre mais um poema triste para sair da noite...
O luar sobe, imperturbável, deste sossego da terra,
o silêncio guarda em si a voz das rochas e dos montes,
o ar é o encontro duma saudade e duma aspiração,
o perfume, o eco dum adeus triste sem palavras nem lágrimas...
As águas do rio pararam, a reflectir mais serenamente umas vagas estrelas,
os barcos são corpos estendidos a sonhar na noite,
as asas dormem escondidas como um segredo,
e as árvores nem têm uma palavra de ternura dos ventos distantes...
E é nesta serenidade que as almas verdadeiramente acordam...
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Alberto de Serpa, Nocturno
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Saturday, June 2
De Coisas Surreais
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SurReaL ThiNgS
Nascido da ideologia política de Karl Marx e da psicanálise de Freud, o Surrealismo, um dos mais marcantes movimentos de arte do séc. XX, em fantástica mostra. O vocábulo relaciona-se a Apollinaire e a André Breton que, em 1924, o descreve como o movimento que procura mudar as percepções do mundo.
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.Na pintura, representados Max Ernest, Miró e André Masson, os artistas dos primeiros anos.
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.e, porque as primeiras religiões e a mitologia clássica foram, frequentemente, exploradas pelos surrealistas, o quadro abaixo,
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.Óbvio que esta escolha é subjectiva, são os meus eleitos, e, para que no espaço não me alongue, ainda assim, muitos ficam de fora.
Thursday, May 31
Lua Perfumada
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Um rapara a cabeça
para que a branca palavra amor
nela pudesse escrever-se
com a pena de um pássaro.
Outro pendurara uma chave
sobre o peito nu
para que em cada momento
pudesse abrir a própria alma.
Por isso, quando se encontraram,
abraçaram-se
sem se conhecerem
impelidos por uma asa ardente
ou pela lua rubra, perfumada
vinda da boca de uma mulher.
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HENRIQUE DÓRIA. Amor Silencioso, in Escadas de Incêndio
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Tuesday, May 29
Reflexos de Poesia
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Sunday, May 27
A Essência au-delà da Aparência
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Que interessa o verdadeiro eu? Segundo a ideia nietzschiana somos o conjunto das nossas máscaras. A essência que está por detrás das máscaras talvez não interesse ou não exista. Deve-se trabalhar no sentido da verdade absoluta de cada máscara. A máscara somos nós naquele momento. E o corpo é o suporte de personagens e máscaras várias.
.Maria de Medeiros
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Friday, May 25
De Mundo na Mão
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E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.
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Vergílio Ferreira in “Pensar”
Wednesday, May 23
Pobres Palavras Pobres

Mas sem o desequilíbrio destas pobres palavras, o que seria a literatura?
O adjectivo cria uma precária onda por sobre as coisas, insegura curva sensorial, provisório tempo.
Não será o adjectivo o que na língua ficou da voz e da música?
Jorge Silva Melo
Monday, May 21
O Eterno Efémero
Não foi sem dificuldade que este livro rompeu através dos interstícios do mundo, até chegar às tuas mãos leitor, para aí, como um deserto abrir noutro deserto, criar uma irradiação simbólica, magnética, onde o branco do papel e negro das palavras, essas cores que segundo Borges se odeiam, pudessem fundir-se e converter-se nessa outra a que, na enigmática expressão de Sá carneiro, a saudade se trava.
Como um desses objectos cujo peso, assim que neles pegamos, instantaneamente se dividem entre as nossas mãos e a alma, é mesmo de crer que ele esteja já dentro de ti – e algo de mim com ele.
Acolhe-o, pois, com benevolência, que, chegada a altura, havemos de arder juntos.
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Luís Miguel Nava
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Thursday, May 17
Valores
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