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Não foi sem dificuldade que este livro rompeu através dos interstícios do mundo, até chegar às tuas mãos leitor, para aí, como um deserto abrir noutro deserto, criar uma irradiação simbólica, magnética, onde o branco do papel e negro das palavras, essas cores que segundo Borges se odeiam, pudessem fundir-se e converter-se nessa outra a que, na enigmática expressão de Sá carneiro, a saudade se trava.
Como um desses objectos cujo peso, assim que neles pegamos, instantaneamente se dividem entre as nossas mãos e a alma, é mesmo de crer que ele esteja já dentro de ti – e algo de mim com ele.
Acolhe-o, pois, com benevolência, que, chegada a altura, havemos de arder juntos.
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Luís Miguel Nava
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Não foi sem dificuldade que este livro rompeu através dos interstícios do mundo, até chegar às tuas mãos leitor, para aí, como um deserto abrir noutro deserto, criar uma irradiação simbólica, magnética, onde o branco do papel e negro das palavras, essas cores que segundo Borges se odeiam, pudessem fundir-se e converter-se nessa outra a que, na enigmática expressão de Sá carneiro, a saudade se trava.
Como um desses objectos cujo peso, assim que neles pegamos, instantaneamente se dividem entre as nossas mãos e a alma, é mesmo de crer que ele esteja já dentro de ti – e algo de mim com ele.
Acolhe-o, pois, com benevolência, que, chegada a altura, havemos de arder juntos.
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Luís Miguel Nava
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